Val Clemente e porque "zouk precisa de você"

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Poucos grandes dançarinos são grandes professores. E poucos professores de dança pode fazer você aprender e rir ao mesmo tempo. Alguém que faz isso muito bem é Val Clemente - um professor do zouk do Rio de Janeiro. Então, quando me encontrei com Val, eu estava curiosa para saber como ele faz isso!

Aqui está nossa entrevista com Val Clemente. Conversamos sobre o que faz uma atmosfera positiva, o que é a coisa mais importante no zouk e como se pode aprender os movimentos mais difíceis, como o movimento de cabeza. Também falamos sobre se é uma boa idéia a dividir zouk aos diferentes estilos e o que estilo se deve aprender. E claro perguntei sobre "Zouk needs you"; como poderíamos espalhar zouk!

 

Zouk The World: Por favor descreva um pouco quando e como você encontrou zouk pela primeira vez?

Val Clemente: Quando vi o zouk pela primeira vez eu já dançava dança de salão. A minha escola de dança tinha uma turma de zouk mas era num dia no horário quando não poderia ir. Nas festas vi quando as pessoas estavam dançando zouk mas não me interessava. Eu queria só dança samba, tango ou outras danças...

ZTW: E quando era isso?

Val: Foi mais ou menos 13 anos atrás, 2002.

Um dia fui numa festa é assisti Adilio (Porto) e Renata (Peçanha) dançando - e ali me interessei muito pelo zouk. Antes isso não sabia como era essa dança. Eu comecei gosta muito e procurei um professor, Erico Rodrigo, e pedi para ele me ensinar zouk. Ele me explicou que zouk não era especialidade dele mas poderia me ensinar. Erico já dançava lambada e era um dos primeiros professores na Escola da Dança Jaime Arôxa. Essa foi a mesma escola de onde veio Renata e de onde veio Adilio, e durante essa tempo dançavam juntos na mesma companhia. Então comecei aprender zouk tradicional e depois um tempo comecei buscar outros formas de aprender. Erico me apresentava para outros professores, como a próprio Adilio, a própria Renata, e na minha escola tinham outros professores com quem podia aprender um pouco. Esse foi minha primeira contacto com zouk.

Uma aula do zouk com Val Clemente - Val espalhando sua energia positiva

Uma aula do zouk com Val Clemente - Val espalhando sua energia positiva

ZTW: Durante suas aulas há uma atmosfera muito positiva e você está bastante conhecido por seu bom senso de humor. Como você mante um espírito bem positivo quando você está trabalhando dias e noites longas e viajando muitos meses?

Na verdade na metade da minha energia vêm dos próprios alunos.

Val: Então, como funciona esse - eu acho que gente consegue começar um circulo da energia. Eu penso muito assim. Das primeiras vezes quando começo dar as aulas eu pensei dar a energia para as pessoas e receber a energia das pessoas a volta. Na verdade na metade da minha energia vêm dos próprios alunos. As vezes eles vão para aula e não sabem que eles têm energia para oferecer. Então tento oferecer a minha energia e depois os alunos começam trazer a energia deles também.

Quando estou viajando, estou mandando a mesma energia. A parte da energia eu dou e a parte de energia eu recebo. É sempre nessa troca. E eu tenho um bom humor porque eu gosto disso - eu gosto de ver a gente rindo.


ZTW: Na sua opinião, qual é a coisa mais importante na aprendizado do zouk?

Val: Eu acho que a coisa mais importante é - não só por zouk, é por qualquer dança - a base. Mas não só base técnica. Eu gosto do falar da base geral - é a base técnica e a base cultural. E acho que é a base pessoal, psicológica, também. Certamente nos precisamos entender as movimentas principais; é como aprender ler ou escrever. Mas a gente tem que saber também alguma coisa sobre a cultura daquela dança. Isso a gente começar entender mais sobre o ritmo.

Muita gente fala que o zouk a gente dança perto, junto. E a gente me pergunta, porque é isso? É uma coisa cultural.

Por exemplo, muita gente fala que o zouk a gente dança perto, junto. E a gente me pergunta, porque é isso? É uma coisa cultural. Nas culturas diferentes não é tão legal a dançar muito perto, a gente não gosta de dançar junto. Mas no Brasil é normal. Então é natural que a dança brasileira tenha isso, né? No forró a gente dança junto, na samba a gente dança junto, também.

As pessoas têm que buscar a base cultural e a base geral para poder entender melhor. Acho que isso é importante e vai ficar mais fácil a entender todo resto.


ZTW: Há uma pergunta que seus alunos mais fazem, sobre zouk? E qual é a sua resposta?

Quando a gente não entende a base do ritmo ou do movimento duma dança, a gente fica procurando que é a mais difícil.

Val: Os alunos, eles perguntam muito sobre o movimento de cabeça. Para mim essa é uma pergunta como a pergunta que você fez antes. Quando a gente não entende a base do ritmo ou do movimento duma dança, a gente fica procurando que é a mais difícil. Por exemplo, se você vai fazer uma aula da acrobacia, você pensa que tem pular e rolar trés vezes. Mas o professor vai explicar: você primeiro precisa aprender rolar no chão.

As pessoas que perguntam sobre o movimento de cabeça acham que é muito difícil. Mas não é. Vai ser difícil se você não entende o primeiro a base. Quando você aprende a base isso fica mais fácil.


ZTW: Há muita discussão agora sobre 'como categorizar vários estilos do zouk' e há muitos nomes para diferentes estilos; zouk tradicional, lambazouk, neo zouk, black zouk, flow zouk, soul zouk, vero zouk... Você se encontra numa categoria específica?

Tudo que você divide, que você separa em muitas coisas pequenas, fica pequeno.

Val: Quando as pessoas me perguntam qual estilo do zouk você dança eu falo que “Só danço zouk”. Eles podem olhar e ver minha forma de dançar e decidir se eles gostam ou não gostam do meu estilo. Algumas pessoas tentam colocar um nome por meu estilo do zouk - muita gente chama do zouk moderno. Mas eu não gosto disso. Porque não gosto? Porque acho que zouk é uma coisa só.

Acho tudo que você divide, que você separa em muitas coisas pequenas, fica pequeno. Então acho que todos dos estilos do zouk deveriam ter mais ou menos a mesma base, porque ficaria fácil, e conseguimos entender e falar a mesma língua.


ZTW: Você acha que é melhor para se concentrar só em um estilo de zouk ou aprender vários estilos diferentes?

Acho que todos dançarinos merecem aprender um pouco de cada estilo.

Val: Eu acho que o zouk hoje é muito grande. Acho que é ideal que a pessoa primeiro aprenda a base do zouk, qualquer estilo. É importante a aprender a base por entender a diferencia dos estilos. E depois acho que todos dançarinos merecem aprender um pouco de cada estilo, porque você nunca sabe qual é o estilo que vai ficar melhor por seu corpo. Então você precisa tentar. Eu não gosto que as pessoas falam que eles dançam um estilo e eles não tentam entender o outro. Se você tentou, entendeu é não gostou, tá bom. Mas primeiro tenta.


ZTW: Seu slogan é “zouk needs you” - "zouk precisa de você". Zouk não é uma dança bem conhecida. Na sua opinião, o que podemos fazer para fazer zouk mais conhecida, ou você acha que é melhor que zouk não é tão popular como por exemplo, salsa ou samba?

Val: Acho que zouk tem tudo para ser mais conhecido que as outras danças. Primeiro porque nos já temos o zouk acontecendo em muitos países. Hoje já tá - se não engana - 60 países mais ou menos dançando zouk. Eu acho que por zouk ficar mais conhecido a gente tem um caminho muito bom por que existe muitas músicas populares, como música de Michael Jackson, Rihanna, Beyoncé, que nos podemos dançar zouk.

Tem profissionais que estudam todos os dias por melhorar o zouk e tem profissionais que estudam para melhorar só esse próprio.

Acho que zouk precisa ficar maior. Mas eu tenho medo, por enquanto porque existe muitos profissionais que não trabalham bem com zouk. Eles estão mostrando um zouk que não tem qualidade boa. Quando a gente fala da salsa, ao todos os lugares têm um professor bom de salsa. Mas no zouk não estamos nesse nível. Tem profissionais que estudam todos os dias por melhorar o zouk e tem profissionais que estudam para melhorar só esse próprio. Então nos precisamos ter mais gente querendo fazer o zouk crescer e ficar melhor.

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Val Clemente biografia

Por mais duma década Val Clemente estava dançando e ensinando uma variedade de estilos de dança, incluindo zouk brasileiro, samba de gafieira, tango, bolero, soltinho e forró, entre outros. Ele começou sua carreira da dança no Rio de Janeiro, no Centro Cultural Conexão, e continuou na Escola Carioca de Dança, onde Val ensinou e dirigiu uma companhia de dança durante vários anos. Val ainda mora no Rio mas ele também viaja no todo o mundo para dar aulas.